domingo, 22 de novembro de 2009

DISCOGRAFIA: Legião Urbana (Parte 2)

O Melodia da Palavra apresenta a segunda parte da Discografia de uma das grandes bandas do rock brasileiro: Legião Urbana!

O quinto álbum de estúdio da Legião Urbana, V, lançado em novembro de 1991, é um dos trabalhos mais melancólicos do grupo. Marca a época em que Renato Russo descobriu ser vítima do vírus HIV e enfrentou problemas com o alcoolismo.

O disco apresenta uma sonoridade diferente da normalmente apresentada pelo grupo. Por exemplo, sua primeira faixa, “Love Song”, com apenas 1:19 de duração, tem como letra os versos escritos no século XIII, em português antigo, pelo trovador Nuno Fernandes Torneol. Além disso, apresenta duas faixas instrumentais, “A Ordem dos Templários” e “Come Share my Life”.

Suas canções mais conhecidas são “Metal Contra as Nuvens” (de 11 minutos e meio de letra psicodélica), a crítica “O Teatro dos Vampiros”, a linda e romântica (embora depressiva) “Vento no Litoral”. Durante a divulgação deste trabalho, o grupo grava seu Acústico MTV, que só viria a ser lançado em CD no ano de 1999.

Em 1992, a banda lançou seu primeiro disco ao vivo: o duplo Música para Acampamentos, uma compilação de várias apresentações ao vivo, reunindo os grandes sucessos da Legião, bem como as inéditas “Gimme Shelter” e “A Canção do Senhor da Guerra”, bem como um cover da música “On the Way Home” de Neil Young.

Entre os destaques dos dois discos, estão as versões de “Baader-Meinhof Blues” (com um “mono-diálogo” de Renato), os acústicos de “Índios” e “Teatro dos Vampiros”, “Pais e Filhos” emendada à clássica “Stand by Me”, bem como as gravações ao vivo de “Fábrica” e “Soldados”. Em quase todas estas, há alguma diferença em relação à gravação original, seja nos arranjos ou mesmo com a inclusão de trechos de músicas de outros intérpretes.

Em 1993, é lançado o 6º disco de inéditas da Legião Urbana: O Descobrimento do Brasil. Renato Russo passava por um tratamento para superar a dependência química, e o resultado foi um trabalho musical que mistura nostalgia, tristeza e otimismo. A faixa-título, além da bela “Giz”, são exemplos dessa mistura, que já parece transmitir uma despedida de Renato.

Uma das músicas mais tocantes do grupo, “Love in the Afternoon”, que fala de um jovem amor perdido para a morte (“É tão estranho, / os bons morrem jovens”), está neste CD. Merecem destaque também a instrumental “O Passeio da Boa Vista” e a ácida crítica social de “Perfeição”.

Em 14 de janeiro de 1995, em Santos-SP, a Legião Urbana faz seu último show. No mesmo ano, é lançado o Box “Por Enquanto 1984-1995”, trazendo todos os discos de estúdio do grupo remasterizados no lendário estúdio Abbey Road, em Londres. Renato Russo estava cada vez mais debilitado pela AIDS.

20 de setembro de 1996 marca o lançamento do último disco da banda, A Tempestade ou o Livro dos Dias. Traz músicas belas que acentuam um tom de despedida: “L’Avventura”, “A Via Láctea” (que apesar da pesada temática de uma vítima de doença terminal, é uma das mais belas músicas da banda), “Dezesseis” (que conta a história real de um jovem aventureiro que acaba pagando pelos seus atos).

Para esse disco, Renato gravou apenas as vozes-guia, exceto em “A Via Láctea”. Ele também se recusou a fotografar para o encarte, que não trazia o tradicional lema Urbana legio omnia vincit (Legião urbana sempre vence), nem a frase “Ouça no Volume Máximo”, constantes em seus trabalhos. Em vez disso, a frase de Oswald de Andrade: “O Brasil é uma república federativa cheia de árvores e gente dizendo adeus”.

A última frase da canção “Música Ambiente”, “E quando eu for embora, não, não chore por mim”, parecia predizer o que estava por vir. No dia 11 de outubro de 1996 falecia Renato Manfredini Júnior, ou simplesmente Renato Russo. Dias depois, ainda abalados, os outros integrantes da Legião Urbana Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos anunciaram o fim do grupo.

No ano seguinte, é lançado Uma Outra Estação, álbum póstumo que reúne canções inéditas que não entraram no disco anterior, como “Marcianos Invadem a Terra” e “Antes das Seis”.

Apesar de a Legião Urbana ter acabado há quase uma década e meia, a banda ainda é considerada influência para novos músicos e mesmo para jovens que não viveram os turbulentos anos de fim de ditadura e de crise econômica. O resultado disso é o lançamento em 2001 do CD duplo Como é que se diz eu te amo e em 2004 de As Quatro Estações ao Vivo, que dão a oportunidade à novos e antigos fãs de ouvir mais versões ao vivo dos clássicos da Legião.

Prova de que o grupo ainda está vivo para milhares de pessoas foi o concerto de tributo à Legião em 2008 em Montevidéu, no Uruguai, e a recente apresentação de Bonfá e Villa-Lobos em Brasília, quando pela primeira vez a dupla se apresentou junta como Legião Urbana, suscitando rumores de um possível retorno com um novo vocalista.

Não importa o que virá por aí, o fato é que o sucesso da Legião nunca será esquecido, e seu legado – sua música – também não.

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